sábado, 28 de novembro de 2009

Os siliconados da fé*

(* O artigo abaixo é de autoria de meu filho, André Couto, pastor de uma congregação em Brasília, DF. Quando enviou-me para análise, achei-o excelente pela síntese, clareza e pelo tema tratado. E lhe prometi: "Vou publicar no meu blog". Aí está. Avalie e veja se eu estou sendo apenas um pai coruja ou se estou correto em minha percepção.)

Faz alguns dias que penso em escrever este texto, e a cada pensamento sobre o tema, um impulso me leva ao teclado do computador. "É melhor eu escrever logo, antes que me bata o sono e os meus dedos relaxem". Os cristãos autênticos sabem que a pregação da Palavra de Deus é o ápice do culto. Oramos, louvamos, ofertamos e elevamos ao máximo os nossos ouvidos para sermos alimentados espiritualmente pelo mantimento sólido, que é a Palavra do Deus vivo.

“Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal”, (Hebreus 5.14). Do que você tem se alimentado? O autor de Hebreus faz referência aos “perfeitos”. Este termo nos remete para a maturidade em Cristo. Ou seja, os maduros se alimentam da verdadeira e genuína Palavra de Deus, e discernem o bem e o mal. Infelizmente, há muitos que fazem uso das Sagradas Escrituras, e quando pregam dão uma “forcinha” para Jesus: são os siliconados da fé. Parecem estar revestidos de um poder especial, de uma auréola, se apresentam como os detentores do poder de Deus, são vasos que não se esvaziam, e os seus seguidores são mui numerosos.

Os siliconados da fé sempre apresentam algo “novo”, acrescentam, diminuem, pregam com frequência no Antigo Testamento (nada contra o AT), mas em suas siliconadas mensagens nos revelam gigantes, guerras, batalhas, muralhas, indulgências, vitórias. Onde estará o grande gozo, ou a alegria que Tiago nos ensinou ao enfrentarmos as provações? Onde estará a sabedoria que nos é dada por Ele? O Cristo dos evangelhos é café pequeno para os siliconados da fé. Uma vida regada pelo amor Deus que nos ensina a amar o nosso próximo é secundária, ou banal. Mortificar a nossa carne é fantasioso. Os siliconados engessam a esperança que deveríamos ter em Jesus e nas suas riquezas eternas. “Derrote seus inimigos, vença os gigantes”, diria um siliconado a você. “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”, disse Jesus a você, e a mim também.

"Viver a soberania de Deus é ser um crente bobo, sonso, ponha Deus contra a parede, peça-lhe, seja insistente, e você vai conseguir o que quiser", diria um siliconado. Temo que daqui a alguns anos, talvez décadas, séculos, se achem raríssimas mulheres que não sejam siliconadas. As que persistirem com a naturalidade do seu corpo serão perseguidas pela ditadura da moda. Assim também enxergo o nosso futuro. Raríssimos homens e mulheres de Deus, que pregarão o evangelho genuíno e autêntico de Cristo, e que sofrerão perseguição. A tendência é o aumento desenfreado dos siliconados da fé, e consequentemente a diminuição daqueles que de fato seguem a Cristo. É uma pena. Creio que estes poucos “naturais da fé” farão a diferença, como ainda fazem nos tempos de hoje. Vivamos Jesus, Ele é a nossa esperança, a nossa salvação!

Pastor André Couto


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Tendências do denominacionalismo para o próximo milênio *

* (O ensaio que ora posto no blog foi escrito em 1998, portanto há 11 anos, e originalmente publicado na revista Obreiro, da CPAD, ano 20, número 5, em junho. Há alguns meses percebi que muito do que ocorre hoje no meio da igreja evangélica tive, com a graça de Deus, a oportunidade de prenunciar naquela época. Outros pontos merecem uma análise mais profunda. É preciso, também, levar em consideração o público ao qual se destinava. Fui atrás do texto e aqui ele está, por deferência do meu amigo César Moisés, que o buscou nos seus arquivos pessoais já que o "perdi" em meus "back ups". É um pouco longo, inadequado para um blog, mas incentivo-o a lê-lo até o fim para que possamos interagir nos comentários e tentar encontrar a "luz no fim do túnel". Mantive-o inalterado, inclusive na ortografia, bem como quanto ao perfil do autor, à época, no final do ensaio.)

A questão denominacional é um tema que precisa ser colocado em debate, neste final de século, tendo em vista o aumento considerável de denominações resultante do crescimento dos evangélicos nas últimas décadas. Há quem prefira fechar os olhos ante a realidade, sem discuti-la, enquanto outros optam pelo radicalismo unilateral e excludente, que privilegia uma única denominação como a depositária da verdade. Todavia, não importa a posição de cada um, a entrada do próximo milênio terá como uma de suas principais características, no meio religioso, a multiplicação acentuada de novas igrejas de matizes diversos e efeitos profundos na vida denominacional.

Antes, porém, de refletir sobre como estas transformações influenciarão os rumos da igreja evangélica nos próximos anos, convém analisar as causas que têm tornado cada vez mais ampla essa babel, termo aqui usado apenas para designar a complexidade da linguagem empregada em cada segmento cristão, que, vezes sem conta, contradita o que outros segmentos pensam e afirmam.

Causas

A causa mais simples, do ponto de vista crítico, é o crescimento vertiginoso dos evangélicos, que, segundo a Veja de 8 de abril, numa projeção bastante aquém da realidade, alcançou o percentual de 300% nos últimos 30 anos contra 68% de crescimento populacional. A popularidade da fé através do uso dos meios de comunicação incorporou uma enorme massa de novos adeptos que não só expandiu as igrejas já existentes, como também ensejou o surgimento de novos ramos denominacionais.

Houve tempo em que ser evangélico atraía ferrenho preconceito e marginalizava o converso do meio social, para não mencionar as freqüentes e ferozes perseguições movidas pelo catolicismo contra os que professavam a “nova” doutrina. Hoje, o quadro mudou. Os milhares de conversões genuínas atenuaram esta visão deturpada e permitiram o livre exercício da fé.

Por outro lado, pertencer a uma igreja evangélica, para muitos, passou a ser sinônimo de status, além da sensação de fazer parte de uma comunidade que desfruta de "respeito" e conta, entre os seus membros, com pessoas oriundas de extratos sociais mais elevados. Tudo isso bastou para que indivíduos com certa capacidade de liderança encontrassem a porta aberta para iniciar novos projetos que resultaram nos mais diferentes modelos de culto.

Outra causa, esta de porte complexo, é a liberdade religiosa emanada do texto constitucional. Não há nenhuma lei que regule a abertura de novas igrejas. Basta dispor de endereço, estatuto aprovado em assembléia e formalizar o registro para que se exerçam as atividades religiosas. Sem deixar de reconhecer a sinceridade daqueles que iniciam novos movimentos movidos apenas pelo desejo de ver expandir-se o Reino de Deus, esta facilidade permite que as dissidências cada vez mais presentes nas igrejas instituídas encontrem caminho fácil para constituírem novas denominações. Hoje, o número delas, no Brasil, ultrapassa a 500. Num quadro assim não há como negar, também, a existência dos “picaretas”, que se utilizam da fachada evangélica com objetivos nada nobres.

Não preconizo nenhuma restrição legal. Entendo que o governo não deve, jamais, imiscuir-se nos assuntos de fé. Propor e aprovar normas em nome de uma possível regulamentação é tolher a liberdade religiosa, cláusula pétrea de qualquer regime democrático, e legislar numa área extremamente subjetiva, onde os representantes da lei não terão como definir o que é legítimo ou não. Além do mais, sempre haverá a possibilidade de a legislação vir a ser aplicada para favorecer determinados segmentos religiosos em detrimento de outros, dependendo de quem estiver no exercício do poder. Haja vista que mesmo hoje, em que o texto da carta magna consagra a separação completa entre a religião e o estado, a igreja romana continua desfrutando de privilégios não concedidos a outros grupos confessionais. Ora, com todas as fragilidades de um modus vivendi desregulamentado, ainda acredito que esta é a melhor forma para a propagação do Evangelho. Vale quem tiver o melhor poder de persuasão.

Portanto, a proliferação cada vez mais acentuada das denominações está aí - e veio para ficar - com todos os desdobramentos que isto implica para a difusão da fé bíblica. Não adianta esbravejar contra esta realidade nem deixar de admiti-la. Não muda em nada. O mais racional é reconhecê-la e descobrir de que modo interfere no dia-a-dia de cada um, para então lidar-se com ela sem nenhum conflito.

Efeitos

Constata-se, inicialmente, que nenhuma denominação pode arvorar-se como a única alternativa para o exercício legítimo da vida cristã. Mesmo naquelas onde certas práticas de suas lideranças se confundem com elementos litúrgicos assimilados do medievalismo católico, há crentes sinceros que foram alcançados e transformados pelo poder do Evangelho. Houve tempo em que as opções reduziam-se às igrejas históricas (a Assembléia de Deus, em certo sentido, já o é), de modo que o discurso radicalizado em defesa de uma igreja como a única de conteúdo neotestamentário ainda encontrava eco. Mas hoje não convence.

Quem analisa a questão sem condicionamentos há de convir que o cerne da mensagem proclamada em milhares de templos de diferentes denominações espalhados pelo mundo é o fundamento apostólico, cuja centralidade é a cruz, ainda que em muitos casos não se concorde com a forma. Adotar, portanto, uma teologia exclusivista é repetir o erro do dogma romano de que fora da igreja não há salvação. Ora, a idéia aqui implícita é a de que não se experimenta a redenção fora das fronteiras do catolicismo. Em outras palavras, esse raciocínio subverte os valores, pois, ao invés de instrumento que proclama a graça, a igreja como instituição confessional passa a ocupar a primazia e torna-se um fim em si mesmo, contrariando o ensino do Novo Testamento.

Não se encontra em qualquer parte dos evangelhos ou das epístolas um texto sequer que possa ser interpretado favoravelmente ao exclusivismo denominacional. O que torna uma igreja essencialmente neotestamentária não é o nome que ostenta, nem o modelo administrativo adotado, ou mesmo o vínculo que tenha com alguma estrutura eclesiástica, mas o grau de compromisso com os postulados da fé apostólica, que centraliza a vivência da fé na obra redentora de Cristo. Daí porque o melhor é substituir o discurso envelhecido da única alternativa pela visão de Agostinho que, mais do que nunca, continua plena de atualidade: “Nas coisas essenciais, unidade; nas não essenciais, diversidade; e em todas as coisas, amor”.

Outra conseqüência da proliferação do denominacionalismo é a postura de não compromisso adotada por muitos fiéis. O amplo leque de opções propicia transferir-se de uma denominação para outra com maior facilidade. Pequenas divergências que poderiam ser sanadas no nascedouro são usadas como justificativa, pois o nível de comprometimento denominacional é pouco ou nenhum, em virtude das muitas alternativas.

É óbvio que a moeda tem dois lados. Sob o aspecto negativo, favorece a multiplicação de crentes com pouca consistência doutrinária, por faltar-lhes a necessária perseverança para manterem-se integrados à sua igreja e ali fortalecer a fé em Cristo. Quais beija-flor, ficam de congregação em congregação, sem plantar raízes em lugar algum, tornando-se, por isso, presas fáceis das heresias. Sua prática cristã notabiliza-se mais pelo apego à superficialidade e ao brilho dos resultados imediatos do que pela renúncia apregoada nos evangelhos. Eles procuram estar onde possam obter vantagens sem que isto implique em maiores compromissos com a igreja.

Sob o aspecto positivo, filtrada a questão do não compromisso, permite a oportunidade de o crente buscar outra igreja para adorar a Deus caso haja dificuldades intransponíveis para permanecer na mesma denominação. Este ângulo compreende principalmente o fato de a igreja vir a afastar-se do paradigma bíblico, não ensejando mais espaço para que o crente continue ali, servindo ao Senhor segundo as Escrituras. Ninguém é obrigado
a freqüentar um lugar onde, comprovadamente, os fundamentos da fé estão sendo solapados e abandonados. Trilharam este caminho os precursores da Reforma protestante.

Não é também conveniente ao cristão ali permanecer se o problema é de conflitos de porte ao nível da administração sem que haja como contorná-los. Ao invés de abrir uma dissidência, é prudente encaminhar-se para outra igreja cujas diretrizes administrativas sejam compatíveis com a sua linha de raciocínio, procurando lembrar-se de que situações semelhantes poderão vir a ocorrer, pois todas as instituições denominacionais situam-se no âmbito humano. Mas o fato é que não há como alegar a inexistência de alternativas para os casos inconciliáveis. Até mesmo aqueles que, em outros tempos, de maneira equivocada, tinham como escudar-se no argumento das poucas opções para não freqüentar nenhuma igreja já não têm como insistir na tese. A falta de um lugar onde a pessoa possa sentir-se bem não é mais justificativa coerente.

Se o advento de novos grupos denominacionais trouxe valiosas contribuições ao evangelismo, ensejou, por outro lado, a desenvoltura de movimentos voltados para a banalização da fé através do mercantilismo religioso. Ao invés de favor imerecido, a graça passou a ser algo que se adquire mediante dinheiro, onde quanto maior a quantia mais o contribuinte recebe. Sob este raciocínio, Deus transforma-se em devedor do ser humano e se obriga a abençoá-lo na proporção de suas ofertas.

Não se questiona a contribuição financeira como parte do culto a Deus. Mas este ato, desde o Antigo Testamento, rege-se pelo seguinte princípio: ele simboliza a entrega pessoal do ofertante como reconhecimento da soberania divina sobre todas as coisas, não se constituindo, portanto, uma moeda de troca para receber os favores da Divindade. O que conta para Deus não é o valor da quantia, mas as suas motivações. Assim, tanto o que contribui com pouco quanto o que oferta grandes somas, se os propósitos são corretos, do ponto de vista bíblico, estão em igualdade de condições. A benção divina sobre eles resulta unicamente da vontade expressa de Deus, como fruto exclusivo da sua graça.

Todavia, o que alguns segmentos denominacionais fazem através dos meios de comunicação é banalizar a fé e restringi-la ao âmbito da comercialização em busca de resultados materiais. A proclamação limita-se ao uso de jargões que induzem os ouvintes a pensar na vida cristã como um mercado, onde quem paga mais leva o melhor produto. Além dos malefícios em si, tal prática desvia-se do eixo do Evangelho e abre espaço para que indivíduos desprovidos de escrúpulos organizem negócios transvestidos de igrejas com o objetivo de ganhar dinheiro em cima das necessidades do povo. O problema é que pela facilidade da generalização muitos englobam todas as denominações sob a mesma ótica. Alguns, por pura malícia. Outros, por falta de senso crítico.

Tendências

Diante do quadro que aí está, detectam-se diversas tendências que, certamente, influenciarão o curso do denominacionalismo nos próximos anos, interferindo de forma direta na ação de cada igreja na entrada do próximo milênio.

A existência cada vez maior de novos grupos diversificados torna bem visível a tendência de colocar-se a nomenclatura denominacional em plano secundário. O que as pessoas estão considerando, hoje, não é a designação em si, mas as propostas de fé que as igrejas proclamam. Por mais que mentes tradicionais se choquem, o peso do nome já não influencia tanto na hora de fazer-se a opção. O que empolga são os discursos contextualizados à necessidade de cada um. Para os extremamente sofridos, a mensagem utilitarista. Para os de mentes racionais, os argumentos construídos com lógica. Ou seja, ocorre no meio denominacional o mesmo fenômeno que está transformando os conceitos mercadológicos: os clientes pouco se preocupam com a marca, pois já não se identificam com ela. Eles são atraídos pela forma como o produto é apresentado, vindo em segundo plano a qualidade do conteúdo.

Outra razão por trás dessa tendência é que as denominações mais antigas não atualizaram seus métodos, úteis para aquela época, mas a maioria ineficiente para os dias de hoje. Eles precisam ser reciclados tendo em vista a realidade atual. Vale lembrar que a mensagem permanece inalterada, mas à medida que mudam os tempos torna-se indispensável a reformulação de estratégias sob pena de não serem atingidos os objetivos. Em razão disso, os incoversos não olham para a cor denominacional, mas acabam envolvidos por aquelas igrejas que de modo mais eficaz conseguem alcançá-los.

A necessidade de fazer frente a essa realidade, até certo ponto ambígua, produz outra tendência. A de igrejas que optam de forma unilateral pelo superficialismo das formas, como se estas tivessem maior valor do que o conteúdo. Na ânsia - legítima, por sinal - de aumentar o número de fiéis, resvalam para o extremo de pôr a ênfase nos meios empregados, com reuniões bem articuladas e métodos contemporâneos, onde a mensagem cristocêntrica acaba não sendo priorizada, deixando de receber o tratamento bíblico correto. O fruto são crentes imaturos, falta de firmeza na fé e a porta aberta para a aceitação de comportamentos sociais contrários à Palavra de Deus. A forma tem o seu lugar, mas não se pode, sob hipótese alguma, abrir mão da legitimidade do conteúdo.

Esta tendência gera diversos desdobramentos. O principal deles são denominações conformadas com o mundo, onde não se confronta o pecado mas busca-se explicá-lo à luz de filosofias humanistas, que admitem práticas como o aborto, homossexualismo e a liberação sexual com a maior naturalidade sob o argumento de que fazem parte da evolução do processo 
social. Com isso, aquelas que se mantêm comprometidas com os postulados bíblicos recebem o rótulo de ultrapassadas.

Vislumbram-se, portanto, duas realidades que identificarão cada vez mais as denominações daqui para frente. Os nomes terão pouca ou nenhuma importância em virtude da proliferação acentuada de novos grupos pelas razões descritas a pouco, acrescida da expansão dos chamados movimentos independentes, que não pensam em vincular-se a qualquer das estruturas existentes.

A primeira realidade constituir-se-á daquelas igrejas cujo perfil refletirá o padrão ético do Reino de Deus e o compromisso com a integridade da fé, não importa, repito, o nome que ostentem, nem a liturgia que adotem. A segunda terá como característica a falta de comprometimento com a Bíblia, a secularização de seus princípios, o conformismo com o sistema pecaminoso do mundo e o apego ao brilho fácil do materialismo. Sem querer simplificar, as duas realidades estão identificada na Bíblia pelas igrejas de Filadélfia e Laodicéia.

Estes perfis estarão de tal modo cada vez mais presentes na vida denominacional que as pessoas não perguntarão pela igreja em si, mas pela fé que professa. Até mesmo porque muitas congregações têm posturas que diferem de outras adotadas por igrejas da mesma denominação. O tipo de comportamento peculiar dessa época em ambos os grupos é assim descrito pelo apóstolo João: “Quem é injusto faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda”, Ap 22.11.

Para concluir, cabem as seguintes sugestões sobre como se posicionar diante do exposto:

1) É preciso compreender que as denominações ocupam papel secundário no plano de Deus. Elas cumprem um importante papel histórico, mas não podem desfrutar de qualquer primazia em detrimento de outras. A Bíblia não trata com este ou aquele grupo, mas com a igreja comprometida com os fundamentos da fé apostólica.

2) Respeitar as diferenças periféricas é outro dever de cada um, pois o que prevalece, para a unidade no Espírito, são os pontos essenciais da fé. Se os fundamentos são os mesmos, espera-se que haja o mínimo de consideração para com os demais irmãos em Cristo.

3) A unidade se dá no âmbito espiritual e não administrativo. Todavia, não vale a pena buscá-la se o preço for a perda da identidade cristã e a aceitação de princípios sabidamente contrários à Palavra de Deus. Convém lembrar que de um lado estão as igrejas éticas e centradas em Cristo, com as quais a comunhão é possível. No entanto, de outro estão os grupos conformados e de braços com mundo. Com estes, não há como prosseguir na caminhada.

4) É legítima a iniciativa de buscar fórmulas eficazes, contextualizadas e lícitas para tornar a mensagem acessível ao coração do pecador, desde que não se comprometa a integridade da fé. As igrejas que não o fizerem ficarão para trás e abrirão espaço para que movimentos sem nenhum respaldo bíblico, mas com estratégias eficientes, consigam arrebanhar maior número de fiéis.

Geremias do Couto é pastor na AD em Teresópolis (RJ), conferencista, comentarista de lições bíblicas, professor do CAPED, articulista e membro da diretoria da AEVB.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

David Wilkerson: um chamado à angústia

Acabei de receber a indicação da mensagem abaixo de um amigo do coração. Foi pregada por David Wilkerson e nos adverte contra a zona de conforto em que nos encontramos, enquanto o mundo, as igrejas e muitos ministérios estão, de fato, em ruína, como estava Jerusalém na época de Neemias.

Vale a pena ouvi-la. É profética. É desafiante. É contemporânea diante de tantos descalabros no meio evangélico. Está em inglês, mas busque a ajuda de alguém que possa interpretá-la para você. Se você tem compromisso com Deus, não ficará indiferente a ela.



Para ajudar aos que ainda não compreendem o inglês, leia abaixo o trecho da mensagem traduzido para o português. Mas antes de ler, sugiro que ouça a versão em inglês.

Quando olho o cenário inteiro da religião hoje, tudo o que vejo são invenções e ministérios de homens e da carne. Eles são, sobretudo, impotentes. Não têm impacto sobre o mundo. Vejo mais o mundo vindo para dentro da igreja e impactando-a do que a igreja impactando o mundo.

Vejo a música tomar conta da casa de Deus. Vejo o entretenimento tomar conta da casa de Deus. Há uma obsessão com o entretenimento na casa de Deus e um ódio contra a correção, contra a reprovação. Ninguém mais quer ouvir sobre isto.

O que aconteceu com a angústia na casa de Deus? O que aconteceu com a angústia no ministério? Esta é uma palavra que você não quer ouvir nesta era de conforto. Você não quer ouvi-la.

Angústia significa extrema dor e aflição. As emoções ficam tão agitadas que se tornam dolorosas. Profunda dor aguda interior devido à sua condição, ao que está dentro de você ou em volta de você.

Angústia.

Profunda tristeza.

Agonia vinda do coração de Deus.

Temos uma retórica religiosa e uma conversa sobre reavivamento, mas são coisas que se tornaram muito passivas.

Toda verdadeira paixão nasce da angústia. Toda verdadeira paixão por Cristo tem origem em um batismo de angústia.

Quando você pesquisa as Escrituras, descobre que, quando Deus determinou recuperar uma situação arruinada, ele partilhou a sua própria angústia por aquilo que viu acontecer em sua igreja e em meio ao seu povo. E ele encontrou um homem de oração, tomou esse homem e literalmente o batizou na angústia.

Você encontra isto no livro de Neemias.

Jerusalém está em ruínas. Como Deus vai lidar com a situação? Como Deus restaurará a ruína?

Amigos, olhem para mim. Neemias não era um pregador. Ele era um profissional. Mas era um homem de oração!

Deus encontrou um homem que não tinha apenas um lampejo de emoção. Não apenas alguém com alguma explosão repentina de preocupação, para, em seguida, deixá-la morrer.

O que ele fez? “Assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus”.

Por que não outros homens? Por que eles não têm a resposta? Por que Deus não os usa na restauração? Por que eles não têm uma palavra?

Porque não há neles nenhum sinal de angústia.

Não há choro!

Não há uma palavra de oração!

Tudo é ruína!

Isto importa a você hoje? Não importa a todos vocês que a Jerusalém espiritual, a igreja, esteja agora casada com o mundo? Que há uma frieza que varre a terra?
Mais do que isso. Você não se importa acerca da Jerusalém que está em nossos próprios corações? Não vê o sinal da ruína que está sugando lentamente o nosso poder e paixão espirituais?

Estamos cegos para a indiferença!

Estamos cegos para a mescla que rasteja diante de nós!

Tudo o que o diabo quer fazer é começar a lutar com você.

E matá-lo!

Então você não irar mais lutar em oração!

Você não irá mais chorar diante de Deus!

Você pode assentar-se e assistir televisão, enquanto a sua família vai para o inferno!

Deixe-me perguntar-lhe:

O que acabei de dizer é que vocês estão condenados em tudo?

Há uma grande diferença entre angústia e preocupação. Preocupação é alguma coisa que começa interessar a você. Você passa a ter interesse em um projeto, uma causa ou uma necessidade.

Deixe-me lhe dizer alguma coisa que tenho aprendido durante os meus 50 anos como pregador. Se você não é nascido da angústia, se essa angústia não tiver nascido pelo Espírito Santo, tudo o que você viu e ouviu da ruína que o levou a estar de joelhos, a quebrantar-se em um batismo de angústia mediante o qual começou a orar e buscar a Deus – agora sei, oh, Deus, realmente agora sei – até que eu esteja em agonia, até que eu esteja angustiado por causa disso. E todos os nossos projetos, todos os nossos ministros, tudo o que fazemos... Onde estão os professores de Escola Dominical que choram por suas crianças porque sabem que elas não estão ouvindo e indo para o inferno?

Saiba que a verdadeira vida de oração começa no lugar da angústia!

Saiba que quando você estabelecer o seu coração para orar, Deus virá ao seu encontro e compartilhará o seu próprio coração com você.

Então o seu coração começará a clamar: “Oh, Deus, o seu nome está sendo blasfemado. O Espírito Santo está sendo ridicularizado. O inimigo tenta destruir o testemunho de fidelidade ao Senhor. E alguma coisa precisa ser feita”.

Não haverá renovação, não haverá avivamento, não haverá despertamento até que estejamos dispostos a deixar que Deus nos quebrante uma vez mais.

Amigos, está-se tornando tarde e está se tornando sério!

Por favor, não me diga... Não me diga que você está preocupado, enquanto você gasta horas diante da Internet e da televisão!

Venha!

Senhor, há alguma necessidade de se chegar a este altar e confessar:

“Eu não sou aquilo que imaginava.

“Eu não estou aonde supunha estar.

“Deus, eu não tenho o seu coração, nem a sua carga.

“Eu tenho desejado que isto seja fácil.

“Eu apenas quero ser feliz.

“Mas, Senhor, a verdadeira alegria vem da angústia.

“Não há nada da carne que nos possa dar alegria.

“Não me importa quanto dinheiro você tenha, não me importa a sua nova casa, não há absolutamente nada físico que dará alegria a você.

“Isto acontece apenas quando é realizado pelo Espírito Santo, quando você o obedece e toma par si o seu próprio coração.

“Construa muros em volta de sua família.

“Construa muros em volta do seu coração.

“Torne-se forte e invencível contra o inimigo.

“Deus, é isto que desejamos”.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Raposas e raposinhas: etica nas grandes e pequenas coisas

A crise é grave. Por qualquer ângulo que se olhe, parece que o fundo do poço está mais embaixo. A cada dia surgem novos fatos que deixam os brasileiros íntegros perplexos e descrentes a perguntar-se: aonde vamos chegar? Nem bem um escândalo termina, outro já está a caminho, sem tempo para a poeira assentar-se no fundo do copo. A república nunca esteve com as vísceras tão expostas como agora. Mas existem coisas positivas em toda essa história que está sendo desnudada pela imprensa.

Sem querer chover no molhado, já que outros disseram isso antes, uma crise se constitui em excelente oportunidade de crescimento. A democracia, por exemplo, sai fortalecida, porque, em outros tempos, a censura não permitiria a divulgação de episódios semelhantes. Hoje, os olhos da mídia podem investigar e tornarem públicas coisas que antes eram varridas para debaixo do tapete. É óbvio que há uma sofreguidão pela denúncia pura e simples, em alguns setores. Há, algures, percebe-se, a intenção de denunciar por mera vingança ou o uso da ameaça como chantagem para sair no lucro. É a corrupção que se alimenta da corrupção. Mas isso não desmerece o papel da imprensa investigativa, já consolidado na tradição democrática brasileira.

No entanto, longe de mostrar a corrupção como algo restrito ao andar de cima, para usar a expressão de Elio Gaspari, o noticiário apenas expõe uma prática que ali acontece de forma sofisticada, mas que também, embora este não seja o alvo predileto da mídia, caracteriza os costumes do andar de baixo. Só que sem a “elegância” dos colarinhos engomados. É a cultura do “jeitinho”, que vem desde Pero Vaz de Caminha e se tornou algo “normal” no cotidiano brasileiro. Que o digam as propinas para evitar a multa do policial, a empreitada de uma obra construída a toque de caixa só para gastar menos tempo e assim aumentar a rentabilidade do empreiteiro. Ou, ao contrário, a demora propositada na construção para “melhorar” o ganho no salário contabilizado pelo sistema de diárias. O médico que receita determinada medicação porque recebe "um por fora" do laboratório. A lista das pequenas corrupções iria longe.

Lembro-me de Cantares. Das raposas e raposinhas. Não eram só as adultas que faziam mal à vinha. As pequenas também. O problema do Brasil, e do ser humano em particular, é achar que só os grandes desvios éticos precisam ser combatidos. Vista grossa para os pequenos. Não faz mal jogar lixo na rua ou nas enconstas, não é nada demais vender gasolina adulterada, pouco importa empregar material de segunda, mesmo que o contratante tenha pagado por material de primeira. Ficar com o troco dado a mais pelo balconista há até quem considere bênção de Deus. Fazer "gato" para roubar a luz do vizinho ou da propria rede pública é atenuado como um recurso da pobreza. "Emprestar" o sinal da TV a cabo é justificado pela necessidade de ter acesso a entretenimento por quem não pode adquri-lo pelas vias legais. Ou seja, as raposinhas podem. As raposas não!

Todavia, segundo a Bíblia, a fidelidade começa nas coisas pequenas. Quem lida com seriedade em circunstâncias aparentemente sem importância, com certeza terá o mesmo comportamento naquilo que denota maior relevância. Não se exige ética apenas nos grandes empreendimentos, seja de que natureza for, inclusive política, mas também nas atividades mais simples. Aqui se incluem os valores morais – a fidelidade conjugal, por exemplo – hoje renegados pela predominância do relativismo.

Entre os dados positivos da atual crise está a certeza de que o Brasil precisa, isto sim, de um choque moral de alto a baixo.Eu até inverteria a ordem. Se o choque começar em baixo certamente chegará na parte de cima. Não basta preconizar tolerância zero apenas para os crimes do banditismo. Os que cobram segurança do Estado, mas se escondem sob a hipocrisia de acobertar o uso livre das drogas, como sugeriu recentemente Fernando Henrique Cardoso, sabem que o tráfico só se sustenta porque há consumo. Não basta exigir que o lixo da corrupção seja varrido no andar de cima, quando próximos ao nosso quintal há pequenos lixos que ali estão como que a decorar o nosso espaço.

As raposas adultas precisam ser apanhadas do jardim. Depressa. Mas as pequenas também. Com a mesma diligência. Lembrem-se que elas crescem. Se cada um tirar o cisco de seus olhos – ao invés de ficar olhando a trave do olho do próximo – terá sido feita a grande faxina que todos anseiam no país. Se todos removermos o lixo que está próximo à nossa porta a cidade ficará limpa.



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

PT usa o código de ética e pune dois parlamentares seus com raro rigor

O que foi que eles fizeram?

Reinaldo Azevedo

Na noite de ontem, o Diretório Nacional do PT decidiu punir os deputados federais Luiz Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC). Por unanimidade, ambos tiveram seus direitos políticos suspensos por um ano e 90 dias, respectivamente. Não poderão votar nem ser votados nas instâncias partidárias ou discursar em nome do partido. É possível que Bassuma, nessas condições, não consiga nem mesmo se candidatar à reeleição. Uau! Será que este partido está, finalmente, se emendando? Afinal, o que ambos fizeram? Abaixo, segue um diálogo imaginário com um leitor otimista. Ele pergunta (em negrito) e eu respondo.

— Será, Reinaldo, que eles foram pegar dinheiro de Marcos Valério no Banco Rural?


— Besteira! Isso é permitido. Não dá punição.

— Então usaram recursos “não contabilizados” de campanha. Acertei?


— Bobagem! Isso é do jogo. Como você sabe, a campanha de Lula foi paga em moeda estrangeira, no exterior, com dinheiro de origem desconhecida.

— Já sei! Então integraram algum grupo de aloprados para fazer um dossiê falso contra adversários! Na mosca?


— Claro que não! Integrar grupo de aloprados é coisa tão importante, que todos aqueles que participaram daquela aventura eram do entorno do próprio presidente Lula. É coisa para gente graduada.

— Ah, então vamos ver: usaram, sei lá, a estrutura de um ministério, da Casa Civil por exemplo, para fazer outro dossiê contra adversários do governo.


— Errado! Quem faz isso acaba sendo considerado candidato natural à Presidência da República. Isso rende promoção no PT, jamais punição.

— Ah, então vai ver eles violaram o sigilo bancário de um caseiro. Coisa feia!


— Tolice. Isso não tem importância. Quem dá bola para caseiro?

Que diabo, então, fizeram esses dois para que toda a cúpula petista, sem exceção, decidisse ser tão severa? Bem, eles resolveram tornar pública a sua posição contrária à descriminação do aborto. Vocês entenderam direito e não precisam ler de novo. Alguns pecadilhos, no PT, como os listados acima, não têm grande importância. Mas defender o direito de um feto à vida, a depender de como seja feito, é incompatível com a ética petista. Eu já desconfiava que fosse assim.
De fato, não sei o que ambos fazem no PT sendo o partido tão escancaradamente favorável à descriminação do aborto.

Como a gente nota, no PT, os que cometeram todos aqueles crimes, merecem uma segunda chance. Mas o feto não merece a única chance que tem. É a forma que a esquerda tem de ser humanista, de ser progressista. A direção recomendou ainda que Afonso não seja reconduzido à Comissão de Seguridade Social e da Família na Câmara dos Deputados. Só pode pertencer a uma comissão de família quem é favorável à morte dos fetos, entenderam?

É o PT aplicando o seu Código de Ética. Ele comporta, por exemplo, Ideli Salvatti a defender Sarney com todos os “esses” e “erres”, mas não parlamentares que participam de uma marcha contra o aborto. Vejam que engaçado: a tal manifestação, sabe-se, teve o apoio de uma ONG que conseguiu dinheiro público para a sua realização etc — vocês conhecem aquela rotina típica de petistas e ONGs. Pô, aí já é demais, não é? Dinheiro público bem utilizado é aquele que financia marchas em defesa do aborto.

Um dia essa gente há de encontrar o lugar certo na história. Que seja logo!

Fonte:
Blog do Reinado Azevedo

Divulgação: www.juliosevero.com

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Pensamentos do meu tempo sabático


Tenho aproveitado esses momentos de recuperação como uma espécie de tempo sabático para refletir, orar, ler e buscar aprofundar a minha comunhão com Deus, de quem cada vez mais aprendo e a quem cada vez mais desejo como o bem maior de minha vida.

Agradeço aos que têm orado em meu favor e, enquanto aguardo o momento de retornar à labuta para continuar a cumprir o propósito de Deus a meu respeito, continuo por aqui a adorá-lo, a buscá-lo com todas as forças do meu coração, e a pensar em tantas coisas mediante às quais podemos testemunhar a sua fidelidade para conosco e sobre como o nosso testemunho pode honrar verdadeiramente o seu nome.

Tenho colhido preciosos pensamentos durante esses dias, alguns dos quais compartilho agora com você que me concede a honra de visitar o meu blog. Eles me abençoaram. Espero que lhe abençoe também.

Contra a mercantilização do evangelho

"Acolhei-nos em vosso coração; a ninguém tratamos com injustiça, a ninguém corrompemos, a ninguém exploramos", Apóstolo Paulo (2 Coríntios 7.2).

Atribulados para consolar os atribulados

"É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação que nós mesmos somos contemplados por Deus", Apóstolo Paulo (2 Coríntios 1.4).

Sempre é tempo de adorar a Deus

"Então, Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou", Jó (Jó 1.20).

Aos desmotivados com a igreja

"O Diabo é o único que defende a tese de que você deve dar um tempo da igreja nos períodos de adversidade", David Jeremiah, no livro: Uma Curva na Estrada.

A oração que honra a Deus

"Abaixo as orações exibicionistas! Deus honra as petições oriundas de um coração simples e as confissões de um espírito humilde", Charles Swindoll, no livro: Fé Simples.

A escolha da alegria

"Embora não pudesse gerar alegria, poderia escolhê-la ao escolher obedecer ao comando de orar continuamente e dar graças em todas as circunstâncias", Ben Patterson, no livro: Aprofundando o Diálogo com Deus.

A decisão de aceitar a vontade de Deus

"A vida de uma pessoa não é feita de segmentos, compartimentos ou estágios. A vida é uma fita contínua e sem cortes. E essa fita sem cortes, para o crente, é uma oportunidade constante de escolher seguir a vontade de Deus", Jim George, no livro: Orações Notáveis da Bíblia.

A dor do aprendizado

"Presto testemunho voluntário de que devo mais ao fogo, ao martelo e à lima do que a qualquer outra coisa na oficina do meu Senhor. Às vezes pergunto se algum dia aprendi algo que não tenha sido pela vara. Quando minha sala de aula está às escuras, enxergo melhor", Charles Spurgeon, como citado no livro: Uma Curva na Estrada.

Aonde você estiver, Deus vê

"Vá aonde quiser, Deus vê. Acenda a luz, ele o vê. Apague a luz, ele o vê. Tema-o, pois ele sempre vê", Agostinho de Hipona, como citado no livro: Uma Curva na Estrada.

domingo, 16 de agosto de 2009

Princípios de liderança e administração eclesiástica


1.0 INTRODUÇÃO

1. 1 O caráter nobre do pastoreio
.

Cuidar do rebanho de Deus é uma das mais nobres tarefas dadas por Deus ao homem. Representa, também, enormes e pesadas responsabilidades, pois quem administra uma igreja está lidando não só com as questões administrativas do dia-a-dia, mas sobretudo com o preparo de almas para a vida eterna.

Daí há quem pense que basta atender as necessidades espirituais do rebanho para cumprir o propósito divino, deixando as questões administrativas em plano secundário. Embora as necessidades espirituais sejam mais importantes, há o lado humano, a organização, o modo de fazer as coisas, que também não podem ser desprezados.

1.2 Administração e pastoreio são interdependentes

Esses dois aspectos da igreja aparecem em linhas paralelas e têm necessidade mútua. Um rebanho bem assistido depende de uma boa administração. Ou, ao contrário, uma igreja bem administrada permite uma boa assistência ao rebanho.

1.3 Boa liderança, boa administração

Nossa matéria será dividida em duas partes: na primeira, trataremos de forma bastante específica sobre liderança. A boa administração só será possível se houver uma boa liderança. Na segunda, nossa abordagem será então sobre administração eclesiástica em si mesma.

2.0 DEFINIÇÃO DE LIDERANÇA

Diz-se com muita propriedade que a verdade está nas coisas óbvias. Conceitos expressos de forma complicada, ou passam uma falsa idéia de profundo conhecimento, ou são elaborados com a finalidade de reter a informação a alguns poucos “iluminados” e manter alienados os demais do verdadeiro significado do que está sendo definido.

Liderança, em suma, nada mais é do que exercer influência sobre outras pessoas e fazer com que elas sigam o caminho traçado por aquele que lidera. Ou seja, toda liderança tem propósitos. Exerce-se a liderança em duas vertentes: liderança informal e liderança formal.

2.1 Liderança informal

Liderança informal compreende aquelas situações em que o prestígio pessoal e a influência de determinados indivíduos agregam seguidores não pelo estabelecimento formal de uma liderança, mas pelo destaque que essas pessoas ocupam nos mais variados segmentos sociais.

Incluem-se aqui, principalmente, os profissionais de comunicação, em especial os artistas, cujas práticas são copiadas e seguidas até sem questionamentos, ainda que não haja uma liderança clara, formal e condutora do processo.

Nesse sentido, todos temos a nossa parcela de liderança, em maior ou menor escala, porque de algum modo, sem o buscarmos, exercemos influência informal e involuntária sobre outras pessoas. Até o simples faxineiro tem gente à sua volta que lhe copia hábitos de seu padrão de comportamento.

Para ajudar o nosso raciocínio, usemos o esquema adotado pelo livro Como Influenciar Pessoas e vejamos a seguir uma lista de alguns nomes, uns conhecidos, outros desconhecidos, e alguns deles até no exercício da liderança formal nos segmentos afins, os quais exercem liderança informal e involuntária em outros segmentos pelo que representam no âmbito em que atuam:

EDSON ARANTES DO NASCIMENTO
NILSON DO AMARAL FANINI
DEOSDETH DA SILVA RODRIGUES
DIEGO MARADONA
ZEQUINHA MARINHO
RONALDO RODRIGUES DE SOUZA
ANTONIO GILBERTO
THOMAS TRASK
SEVERINO CAVALCANTI
MAX LUCADO
JOSÉ PIMENTEL DE CARVALHO
GILBERTO GIL
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
MARINA DA SILVA

Outros nomes poderiam ser acrescentados, mas para o nosso propósito esses bastam. O que há em comum entre eles, já que nem todos são conhecidos? Pelo destaque que têm e pelo prestígio que desfrutam, alguns em âmbito bastante restrito, encontram seguidores capazes, inclusive, de defender suas ações com unhas e dentes, mesmo que elas estejam equivocadas. Isso é o que se define como liderança informal.

Mesmo aqueles que têm alguma responsabilidade formal de liderar, à medida que a sua influência ultrapassa os limites do grupo liderado, tornam-se também referenciais para os que estão fora do seu âmbito de liderança formal.

2.2 Liderança formal

Liderança formal tem a ver com o exercício de um processo específico em que alguém é elevado à condição de líder para conduzir um grupo social em busca dos objetivos para os quais foi estabelecido. É algo plena e formalmente consentido tanto para quem lidera quanto para os que estão sendo liderados.

A liderança passa a ser então um instrumento de comando para montar uma estrutura, ou assumir uma já pronta, em que a matéria-prima é o próprio ser humano. Em outras palavras, a estrutura em si mesma não é o principal e, sim, aqueles que vão operacionalizá-la para alcançar o fim a que se destina.

O papel do líder, portanto, é fazer com que sua equipe use essa estrutura de modo eficiente e eficaz para concretizar a realização dos propósitos. Isto significa que toda liderança formal trabalha com objetivos, que precisam ser claros, mensuráveis e possíveis de ser alcançados.

2.2.1 O que significa eficiência

Falamos acima de ser eficiente e eficaz. A eficiência envolve o modo como se administra para alcançar os fins desejados. Tem a ver com a estrutura, as estratégias, a ação e tudo mais que se estabeleça em busca das metas. Nem sempre, porém, a eficiência chega aos resultados em razão de falhas operacionais durante o processo. Ninguém discute, por exemplo, a eficiência de uma Ferrari, mas se faltar gasolina ela não se move do lugar. Portanto, não basta ao líder ser eficiente. Ele precisa ser eficaz.

2.2.2 O que significa eficácia

Já a eficácia é o resultado da eficiência. É alcançar os objetivos propostos. Liderança eficaz, portanto, é aquela que conjuga eficiência com eficácia, e sabe, por isso mesmo, conduzir o processo com o fim de alcançar os propósitos para os quais a sua liderança foi estabelecida.

2. 3 Liderança negativa & Liderança positiva

A liderança tem dois lados, mesmo aquela que se exerce de maneira informal. Ela tanto pode ser negativa como positiva. Os propósitos podem ser negativos ou positivos. A sociedade é farta de exemplos de líderes que usam a sua capacidade de liderar com meios e fins escusos. Eles não têm o menor escrúpulo em tentar manipular as pessoas a seu bel-prazer. e com finalidades inconfessáveis.

Por outro lado, há também aqueles que se movem por objetivos legítimos e usam a sua capacidade não para impor uma vontade pessoal, mas para conscientizar e conduzir o grupo em busca de objetivos lúcidos e sadios, seja na esfera secular, seja na esfera eclesiástica, onde o exercício da liderança é legítimo, os meios são legítimos e os fins também são legítimos.

3.0 LIDERANÇA ECLESIÁSTICA

O nosso escopo nesta primeira parte abrange a liderança eclesiástica, ou seja, a condução de grupos específicos, no âmbito da Igreja, que reúne pessoas com as mesmas convergências de idéias e ação em busca dos mesmos propósitos. No meu entendimento, a melhor passagem bíblica (ainda que trate dos dons ministeriais) para definir conceitualmente como atua essa liderança e qual o seu objetivo encontra-se em Efésios 4.11-16:

“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos a unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em toda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.”

Este é não só o padrão universal de liderança que Deus estabeleceu para sua Igreja. É também a descrição dos propósitos, definidos e mensuráveis, que Ele propôs para serem alcançados. É, por assim dizer, o plano de vôo que o piloto da aeronave tem em mãos para chegar ao destino.

Os dons ministeriais são, portanto, a constituição do legítimo exercício da liderança eclesiástica para conduzir o corpo de Cristo aos verdadeiros propósitos para os quais ele veio à existência. Qualquer outra liderança em outros departamentos da igreja deve seguir o mesmo padrão. Quais são, todavia, esses propósitos?

1) Treinamento, v. 12
2) Realização, v. 12
3) Edificação, 12
4) Unidade, v. 13
5) Conhecimento, v. 13
5) Similitude, v. 13
6) Firmeza, v. 14
7) Crescimento, vv. 15, 16

Seguindo o esboço de Rick Warren, autor do livro Uma Igreja com Propósitos, os objetivos acima podem ser operacionalizados da seguinte forma:

1) Celebrar a Deus
2) Ministrar ao próximo
3) Ensinar a obediência
4) Batizar
5) Fazer discípulos

4.0 OS MÉTODOS DA LIDERANÇA ECLESIÁSTICA

Vale repetir que a forma e os propósitos da liderança eclesiástica são universais. São válidos para todas as épocas e em todos os lugares. Não mudam. Qualquer coisa que esteja além do exposto em Efésios 4.11-16 é acréscimo humano. Agora, temos de convir que os métodos para que esses objetivos sejam alcançados diferem no tempo e de um lugar para outro em razão do desenvolvimento humano. Ao lidar com métodos, temos de ter em mente alguns princípios:

1) Métodos são humanos e não se constituem em modelos universais
2) “Os fins não justificam os meios”
3) Métodos não podem constituir-se em paradigmas permanentes
4) Métodos não podem sobrepor-se aos princípios
5) Métodos não podem ser alçados à condição de verdade absoluta
6) Métodos não podem vestir-se de “a única visão” de Deus para a Igreja

À luz desses princípios, cabe à liderança local encontrar os métodos que melhor se adequem à sua realidade e quebrar paradigmas quando estes não mais oferecem condições para que os propósitos de Efésios 4.11-16 sejam alcançados. Entenda-se por quebra de paradigmas a capacidade de pôr de lado métodos que não mais funcionam, arcaicos, desatualizados, em busca de outros que são próprios para o momento e aquela circunstância. NÃO SE TRATA AQUI DE MUDAR OS FUNDAMENTOS!

5.0 QUALIDADES DO EXERCÍCIO DA LIDERANÇA ECLESIÁSTICA

Todos temos, como já afirmamos acima, alguma capacidade de liderança e exercemos algum tipo de influência. Mas nem todos têm perfil para o exercício da liderança formal. Em se tratando da liderança eclesiástica, aí o funil se torna mais estreito. Em primeiro lugar, descobre-se em Efésios 4.11-16 que Deus é quem estabelece a liderança eclesiástica – não o homem. Em segundo lugar, as qualificações de 1 Timóteo 3.1-7 para os líderes exigem um elevado padrão de excelência. A sua forma de conduta tem de estar acima da média. Tudo o que os bons livros de liderança propõem para os bons líderes encontra-se na Bíblia. Eles apenas traduzem em linguagem contemporânea aquilo que já está descrito na Palavra de Deus. Vejamos algumas qualificações da liderança eclesiástica:

1) Convicção – É preciso acreditar naquilo que prega
2) Caráter – (Diferença entre temperamento, caráter e reputação)
3) Poder de agregação – Em sentido figurado, o líder é um “vendedor” de idéias
4) Poder de articulação – Uma idéia só terá funcionalidade se o grupo estiver
articulado para esse fim
5) Clareza de propósitos – “De onde eu vim, o que eu estou fazendo aqui e para onde
eu vou”
6) Visão da coletividade – Em outras palavras, conhecer os seus liderados
7) Capacidade de ser igual – O líder não está acima, ele é um com os demais. A única
coisa que o distingue é o fato de ser um ponto de aglutinação. Ele não faz todas as
tarefas sozinho
8) Capacidade de ser imitado – Ele é um exemplo para os que o cercam
9) Capacidade estratégica – As estratégias são vitais para o exercício da liderança
9) Capacidade de ouvir – Quem pouco ouve, muito erra
10) Capacidade de dialogar – O diálogo esclarece e unifica a linguagem
11) Capacidade de decidir – Há tempo para todas as coisas, inclusive para decidir.

6.0 DEFINIÇÃO DE ADMINISTRAÇÃO

6.1 Administração não é algo aleatório


Administração não é algo que se faz de maneira aleatória. Ela exige que haja uma estrutura formal e bem estabelecida, na qual sobressaem a um só tempo quatro palavras-chaves: objetivo, organização, planejamento e comando. Sem essas premissas não se chega a lugar algum.
Qualquer empreendimento, para cumprir suas finalidades, terá de ter, portanto, objetivos bem definidos, organização com seqüências lógicas, simples e precisas, planejamento que preveja todas as etapas do processo e comando capaz de gerir a administração.

6.2 Administração é trazer funcionalidade

Assim, administrar, em linhas gerais, é fazer com que as coisas funcionem. É tirá-las da inércia e torná-las eficientes e eficazes. É, portanto, exercer uma boa liderança à luz dos princípios há pouco discutidos para que os propósitos da organização sejam alcançados, cumprindo assim a finalidade de sua existência.

6.3 O que é administração eclesiástica

A administração eclesiástica, portanto, se insere na mesma definição. Só que sua concepção é divina para atuar na esfera humana. De um lado é um organismo vivo, que atua como agente do Reino de Deus, e de outro é uma organização que precisa dispor de todas as ferramentas humanas para a realização de seus objetivos.

Mas há uma diferença: como a Igreja tem propósitos não só para esta vida, mas também para a eternidade, exige, por isso mesmo, dedicação que muitas vezes foge aos parâmetros humanos.

A título de exemplo, numa organização secular quem negligencia suas tarefas e deixa de ser produtivo corre o risco de ser demitido na primeira oportunidade. Na igreja é diferente: toda a sua estrutura precisa estar voltada para restaurar o indivíduo e fazer com que ele retorne à mesma fé.

É óbvio que não se excluem medidas disciplinares, quando necessárias, mas mesmo neste caso o objetivo é sempre restaurar, nunca lançar no inferno. A igreja jamais pode dar motivo para que alguém, no juízo, alegue ter perdido a salvação por ter sido abandonado à beira da estrada.

Isto implica em afirmar que a finalidade básica da igreja, qualquer que seja o modelo administrativo, é aperfeiçoar os santos para a obra do ministério e levá-los à medida da estatura completa de Cristo.

7.0 MODELOS DE GOVERNO ECLESIÁSTICO

Segundo o livro Administração Eclesiástica (CPAD), corroborado por outros autores de igual jaez, há pelo menos três modelos de governo eclesiástico: episcopal ou prelático, presbiteriano ou oligárquico e congregacional ou independente.

7.1 Episcopal ou prelático

No sistema episcopal o poder pertence aos bispos diocesanos e ao clero mais alto, como acontece nas igrejas romana, grega, anglicana e na maior parte das igrejas orientais.

7.2 Presbiteriano ou oligárquico

Aqui o poder emana das assembléias, sínodos, presbitérios e sessões, como acontece na igreja escocesa, luterana e nas igrejas presbiterianas.

7.3 Congregacional ou independente

Neste modelo sobressai o autogoverno, ou seja, cada igreja se administra mediante a voz da maioria de seus membros, como sucede entre os batistas, os congregacionais e alguns outros grupos evangélicos.

8.0 OS MODELOS DE GOVERNO E O PADRÃO PRIMITIVO

Neste ponto surge uma pergunta: que modelo se adequa aos princípios bíblicos para a Igreja? Comecemos por eliminação. O modelo episcopal é o que mais se distancia do padrão primitivo, pois exclui a participação da Assembléia nas decisões e põe todo o peso no colegiado de bispos ou no próprio Papa, em se tratando do romanismo, que possui o infalível e exclusivo poder de comandar a igreja.

O livro de Atos e as epístolas mostram, ao contrário, uma igreja participativa com ênfase para o governo local conduzido pelo pastor, bispo ou presbítero (são termos sinônimos), com o apoio da junta diaconal para as atividades temporais da igreja e tendo a Assembléia como o poder máximo de decisão.

Os principais historiadores são unânimes em reconhecer que esse era o modelo da igreja primitiva. Moshiem, citado em Administração Eclesiástica, afirma que “a voz principal pertencia ao povo, ou seja, a todo o grupo de cristãos”. Os líderes locais reuniam-se para o estudo prévio dos assuntos (At 15.6), mas qualquer decisão era tomada pela igreja (At 15.22).

As cartas do Apocalipse reforçam a tese. Perceba que elas não se destinam a um colegiado de bispos ou a um Sumo Pontífice, mas ao líder de cada igreja, o qual é severamente cobrado pelo Senhor quanto a sua árdua responsabilidade. Em nenhum momento há a suposição de um colegiado universal para decidir os rumos da Igreja sem a participação dos crentes.

Assim, o modelo bíblico privilegia a igreja local. Embora possa estar ligada a uma estrutura denominacional, à luz do Novo Testamento ela é soberana em sua constituição, ação e em seus atos disciplinares. É ela quem indica seus candidatos ao ministério e os submete aos critérios convencionais para a ordenação, e não o contrário.

Ou seja, o modelo que mais se aproxima do padrão primitivo é o que conjuga os principais aspectos do modelo congregacional com alguns aspectos do modelo presbiteriano.

9.0 A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DE UMA IGREJA

9.1 Os atos constitutivos


Uma igreja, para constituir-se, precisa basicamente de três documentos: 1) Ata da Assembléia constitutiva; 2) Estatuto, onde se determinam a natureza, os fins, as responsabilidades, a organização, a forma de governo, a competência, a administração e questões afins, e 3) Regimento Interno, onde se particularizam as normas da instituição, que não podem jamais conflitar com o Estatuto.

Uma coisa precisa ficar bastante clara nos atos constitutivos: como e porque a igreja foi constituída, bem como a denominação a que pertence, para que haja o seu reconhecimento segundo os critérios da convenção que abriga a denominação.

Só de posse desses documentos a igreja adquirirá personalidade jurídica e poderá cumprir perante a lei não só suas funções espirituais, mas suas atividades jurídicas e sociais, como, por exemplo, a aquisição e alienação de bens.

9.2 O organograma

O organograma é o ordenamento funcional da estrutura eclesiástica. Há pequenas diferenças de uma para outra, dependendo das peculiaridades locais, mas basicamente as igrejas adotam o seguinte modelo estrutural:

9.2.1 Assembléia

Compõe-se dos membros regulares e se constitui no poder máximo de discussão e decisão, cabendo aos órgãos da igreja cumprir o que for aprovado em Assembléia sob pena de prevaricação.

Há dois tipos de Assembléia: Ordinária e Extraordinária. A primeira trata dos assuntos do dia-a-dia. A segunda, dos assuntos que se constituem exceção, como: admissão ou exoneração do pastor, aquisição ou alienação de bens, aprovação ou reforma de Estatuto e aprovação ou reforma de Regimento Interno.

Em ambos os casos o Estatuto prevê o quorum necessário para que suas decisões sejam legitimas.

9.2.2 Diretoria

Compõe-se normalmente de presidente, dois vice-presidentes, dois secretários e dois tesoureiros e tem a responsabilidade de conduzir a administração. O mandato costuma ser bienal (tanto para os coordenadores de departamentos), a exceção do presidente, que, por ser simultaneamente o pastor, na tradição assembleiana, permanece à frente da igreja enquanto bem servir ou até quando deixar o pastorado por transferência, jubilação ou em virtude de alguma decisão disciplinar. O "bem servir", aqui, às vezes é letra morta, mas levado em conta o seu verdadeiro sentido significa o direito de a Igreja decidir pela exoneração de seu pastor nos casos exaustivamente comprovados em que ele não mais esteja "bem servindo" à Igreja.

Ao presidente cabe: a) Convocar e dirigir todas as Assembléias, bem como as reuniões da Diretoria e do Corpo Ministerial; b) Representar a igreja judicial e extrajudicialmente; c) Assinar, com o 1º secretário e o 1º tesoureiro, escrituras de compra e venda, de hipoteca e de alienação de bens imóveis, sempre mediante autorização prévia e nos termos do Estatuto; d) Assinar as atas das Assembléias da igreja, depois de aprovadas; e) Assinar, com o 1º tesoureiro, cheques e outros documentos de crédito em conta conjunta; f) Autorizar, com o 1º tesoureiro, todas as contas e gastos, assinando os recibos e demais documentos da tesouraria, de acordo com as decisões administrativas; g) Velar pelo bom desempenho da igreja, observar e fazer cumprir o Estatuto, o Regimento Interno e as resoluções da Assembléia; h) Representar, de fato, a igreja perante suas coirmãs e convenções. Na qualidade de pastor é também de sua responsabilidade a direção dos atos de cultos e das reuniões solenes, bem como a orientação espiritual e doutrinária dos membros.

9.2.3 Corpo ministerial

Compõe-se dos pastores que servem à igreja, seja na sede, seja nas congregações, os quais se reúnem sob convocação do presidente para a discussão prévia dos assuntos que serão levados à ordem do dia para a apreciação da Assembléia. Alguém poderá perguntar: onde entram os presbiteros? Faço coro com o saudoso pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos, que não concordava com a existência desse grupo "intermediário" em nossa tradição assembleiana, posto que "presbítero" é sinônimo de pastor com sentido de supervisão, superintendência.

9.2.4 Conselho Fiscal

Compõe-se normalmente de três membros, com a responsabilidade de auditar as contas da igreja e emitir parecer sobre o balancete a ser apreciado em Assembléia.

9.2.5 Departamento de Administração

Como o próprio nome indica, esse departamento cuida das questões administrativas e responde pelas seguintes áreas: Serviços Gerais, Diaconia, Obras, Compras e Almoxarifado, Patrimônio, Transportes, Segurança e Finanças.

9.2.6 Departamento de Evangelização e Missões

Estas são basicamente as suas áreas de atuação: Cruzadas Evangelísticas, Evangelismo Explosivo, Hospitais e Presídios, Casas de Recuperação, Grupos Alternativos, Missões Nacionais e Missões Transculturais.

9.2.7 Departamento de Educação Cristã

Estão sob sua responsabilidade as seguintes áreas: Escola Bíblica Dominical, Integração e Discipulado, Cursos Teológicos e Seminários de Formação e Reciclagem.

9.2.8 Departamento de Assistência Social

Compreende basicamente as seguintes tarefas: Atendimento Ambulatorial, Farmácia, Caixa Funerária, Cestas Básicas e Campanhas Sociais.

9.2.9 Departamento de Apoio Espiritual

O Departamento de Apoio Espiritual é de vital importância para a vida da igreja. Estão sob sua coordenação as seguintes áreas: Movimento de Oração, Visitação Doméstica, Apoio Pastoral e Aconselhamento.

9.2.10 Departamento de Música

Cuida dos Grupos Musicais, Equipe de Louvor e Formação de Músicos e Adoradores.

9.2.11 Departamento de Núcleos de Crescimento

Esta é outra área importante de sustentação do crescimento da igreja. Aqui estão os núcleos (ou grupos familiares), que dispõem de uma estrutura própria para o seu desenvolvimento assim estabelecido: coordenador geral, supervisores de áreas, dirigentes, vice-dirigentes e secretários de núcleos.

10.0 O RECEBIMENTO DE NOVOS MEMBROS

O crescimento da igreja é um alvo a ser constantemente buscado. Ele se dá em três direções: 1) crescimento vertical (para com Deus); 2) crescimento horizontal (uns para com os outros), e 3) crescimento quantitativo (a inclusão de novos membros). Os dois primeiros podem ser denominados de crescimento qualitativo. Eles representam os três primeiros objetivos da Declaração de Propósitos de Rick Warren: Celebrar a Deus, ministrar ao próximo e ensinar a obediência. O crescimento quantitativo corresponde aos dois últimos objetivos da mesma declaração: batizar e fazer discípulos. Uma igreja que cresce em qualidade o resultado será o crescimento quantitativo. Uma coisa chama a outra. Assim, há três maneiras de se receberem novos membros na igreja:

10.1 Pelo batismo

Os que se convertem devem ser preparados e levados ao batismo depois de assinarem a Declaração de Propósitos da igreja, tomando assim conhecimento de seus deveres e privilégios como membros do Corpo de Cristo.

10.2 Por carta de transferência

Aqui se refere àqueles que vêm com carta de transferência de outras igrejas. É conveniente que essas pessoas não sejam logo recebidas, mas passem por um "tempo sabático", conheçam primeiro a igreja para a qual estão se transferindo, leiam e assinem a Declaração de Propósitos para então se tornarem membros.

10.3 Recebimento de desviados

Neste caso, há duas considerações a fazer: se ele foi membro da mesma igreja e agora está de retorno, precisa renovar seus compromissos para ser recebido e dar claro testemunho de sua decisão. Mas se sua origem é diferente, é recomendável informar a sua nova condição à igreja de onde se desviou para que então possa ser livremente recebido após assinar a Declaração de Propósitos.

11.0 CONCLUSÃO

A Igreja, em sua concepção divina, rege-se pelos princípios maiores das Escrituras Sagradas. Em sua caminhada terrena, como comunidade local, submete-se às leis para que o seu funcionamento seja legitimamente reconhecido. Todavia, sempre que houver colisão entre as leis humanas e as leis de Deus estas continuarão sendo o nosso padrão absoluto de referência para o nosso viver eclesiástico.


PS. Estarei ausente do blog por alguns dias em virtude de tratamento de saúde. Tão logo esteja restabelecido, com a bênção de Deus, retornarei à labuta. Orem por mim.





terça-feira, 4 de agosto de 2009

Cristo, um educador contemporâneo


Considerações preliminares

O ministério terreno de Cristo teve por essência o ensino. Todos os seus atos – inclusive os milagres – não fugiram à regra. Onde quer que estivesse, ele tinha uma meta: ensinar as pessoas. As situações aparentemente mais corriqueiras serviam-lhe de instrumento para expor uma lição aos seus ouvintes. Jesus viveu movido por este propósito e empregou as estratégias certas para cumpri-lo.

Igualmente, a Igreja hoje exerce o ministério pedagógico. Essa é a sua prioridade. O complexo mundo pós-moderno impõe-lhe o dever de multiplicar as suas energias nessa direção e ter como foco, sobretudo, as crianças, pois é nos primeiros anos de vida que ocorre a estruturação psicológica do indivíduo.

Não desconhecemos o avanço da pedagogia, nem lhe tiramos o mérito de introduzir novas formas de pensar a educação para que os objetivos do ensino sejam alcançados. Mas estas são as grandes perguntas de nossa reflexão: os métodos de Jesus continuam válidos para a época atual ou perderam a sua eficácia? Se Cristo vivesse sua humanidade hoje como seria a sua forma de aproximação das pessoas? Se a pedagogia põe ao nosso dispor novas ferramentas para cumprir os objetivos do ensino, em que podemos aprender com os métodos de Jesus?

Um homem afinado com o seu tempo

Para que tenhamos uma visão clara sobre isso, precisamos primeiro descobrir como Jesus se relacionou com a sua época, envolvendo não só a questão religiosa, mas também a cultura e os aspectos sociais. Esta premissa é necessária para que não se tenha a idéia, pela leitura equivocada dos evangelhos, de que o Mestre tenha sido uma pessoa alienada do contexto em que viveu.

Não obstante Cristo ter nascido para cumprir os propósitos de Deus de implantar o Novo Concerto entre os homens, do qual seria o mediador através do próprio sacrifício vicário, sem nenhum vínculo formal com o judaísmo, a sua nacionalidade judaica não foi uma circunstância, mas uma necessidade espiritual, profética e teológica. Deus usou a nação de Israel para ser a depositária de sua revelação à humanidade. Portanto, o Salvador do mundo, enquanto homem, teria de vestir-se de judeu para cumprir os propósitos divinos.

Assim, Cristo foi em tudo uma pessoa afinada com o seu tempo. Ele viveu como judeu, cumpriu os ritos do Antigo Concerto, incorporou em sua prática diária os elementos básicos de sua cultura e fez uso das convenções sociais de então nos seus relacionamentos. É óbvio que confrontou os erros, condenou a hipocrisia religiosa, combateu o formalismo da fé, proclamou as boas novas do novo tempo que Ele próprio representava, mas sempre se utilizou de ferramentas judaicas para isso, inclusive na arte de ensinar ao povo.

Em suma, esta é a expressão que melhor resume como o Mestre se comportou em sua vida humana: um homem contemporâneo.

Um homem que conhecia as necessidades humanas

Outra peculiaridade de Jesus está na importância que dava aos relacionamentos. Ele não deixou de valorizar os momentos a sós com Deus, onde renovava as forças para os embates diários, mas ocupava grande parte de seu tempo em contatos com as multidões e as pessoas em particular. Ele o fazia porque conhecia as necessidades humanas. Esse era o foco de sua atenção. Essa era a prioridade do seu ensino.

Qualquer que fosse a forma de aproximação de alguém necessitado, ou da própria multidão, o Senhor conduzia o processo até chegar ao âmago do problema para então propor os caminhos para a mudança de curso e a restauração pessoal ou comunitária. Mas o ponto de partida nunca se constituía de um discurso vazio e sem levar em conta o que importava: a necessidade do próximo.

Em outras palavras, o ensino não pode ser superficial, nem apenas formal. É preciso considerar o que as pessoas necessitam e ponderar sobre como é possível levá-las a mudar a sua concepção e a pôr em prática os conceitos aprendidos para que façam sentido em sua vida e produzam aperfeiçoamento.

Isso implica em convivência, compartilhamento, aceitação do ser humano, capacidade de avaliar as reações alheias, interesse pelo que as outras pessoas vivem e sentem, e disposição para ser mais que um professor: tornar-se um verdadeiro pedagogo, segundo a etimologia do termo grego, um condutor de alguém ao verdadeiro aprendizado. Esse foi o sentimento que moveu o coração de Cristo em sua compaixão pelo homem.

Um homem que dominava os rescursos pedagógicos

Em vista do que acabamos de expor, Jesus sabia fazer uso dos recursos pedagógicos e os aplicava à luz das especificidades humanas. Ele não era um autômato que seguia a mesma rotina em todos os casos. Mas agia como um conhecedor dos problemas humanos.

Os diálogos do Mestre não se restringiam à mera ocupação do tempo, mas tinham objetivos bastante definidos; suas perguntas retóricas não eram para demonstrar conhecimento, mas instrumentos para chegar a um fim; suas parábolas não o tornavam um simples contador de histórias, mas levavam-no a estabelecer analogias consistentes; os seus simbolismos não ficavam no mundo abstrato, mas eram extraídos da linguagem do povo para que este o compreendesse – em qualquer situação o método era aplicado conforme o propósito.

Quando a circunstância exigia conduzir o processo pedagógico etapa por etapa, esse era o caminho; quando o confronto direto se impunha, esse era o método; quando a demonstração de atitude era mais forte do que as palavras, esse era o comportamento. Mesmo naquelas situações que envolviam a logística, o Senhor preocupou-se em criar condições para que seus ouvintes não tivessem nenhuma dificuldade que os impedissem de ser alcançados.

Portanto, quando se olha para a tríplice perspectiva do ministério terreno de Cristo – ensinar, pregar e curar – percebe-se com bastante precisão que Ele não perdia as oportunidades de cumprir os seus propósitos pedagógicos. Qualquer que fosse o contexto, nunca deixava de ser contemporâneo na forma de falar às pessoas em busca do fim desejado.

Um homem cujos métodos permanecem atuais

Após esta reflexão, chegamos então à nossa grande pergunta: permanecem ainda atuais os métodos empregados por Jesus? A resposta é positiva. À medida que a pedagogia avança, novos conceitos são incorporados, outros vão sendo aperfeiçoados. Não se discute, por exemplo, a importância da tecnologia para a educação. Entre o antigo flanelógrafo e um moderno data show a distância é muito grande. Ninguém, em sã consciência, abre mão do último recurso, se estiver disponível.

Todavia, se nos dermos ao gratificante trabalho de comparar conceitualmente os recursos da pedagogia moderna com os métodos empregados por Cristo, numa época em que as limitações físicas eram enormes e o sistema educacional não dispunha das mesmas facilidades de hoje, temos de convir que o Mestre sempre esteve na vanguarda. Não só o seu ensino continua atual – e jamais deixará de sê-lo – mas os seus métodos se constituem em excelente modelo para a nossa prática pedagógica.

Quando estudamos as várias correntes da pedagogia, descobrimos conflitos entre uma e outra escola. Mas há também nelas verdades que se complementam. Se cotejarmos essas verdades à luz dos métodos de Cristo, veremos por fim que o Senhor, para o nosso exemplo, “ousou” antecipá-las na realização do seu ministério pedagógico.

Conclusão

A conclusão se dá, portanto, em duas vertentes. Na primeira, somos levados a crer que temos muito a aprender com o modelo pedagógico de Cristo. Sem desconsiderar o que os especialistas de hoje nos apontam como tendências da educação, no seu aspecto positivo, nunca devemos abrir mão de compreender que o Senhor continua sendo o nosso modelo de melhor educador.

Na segunda, temos também de aceitar que se Jesus vivesse fisicamente entre os homens nos dias atuais, não se furtaria em estar na vanguarda da educação com o propósito de levar os seus ouvintes modernos a compreenderem cabalmente o seu ensino. Repita-se: Ele é o nosso exemplo, somos seus imitadores, exerçamos a nossa responsabilidade pedagógica em toda a sua plenitude.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Chamado ao descanso eterno o pastor Joaquim Martins do Couto

Foi chamado ao descanso eterno, nesta manhã, o meu saudoso pai, pastor Joaquim Martins do Couto. Com 83 anos de idade, completados no dia 23 de junho, é um dos últimos patriarcas das Assembléias de Deus no Estado do Rio de Janeiro. Veio de Três Rios, onde pastoreava, para Teresópolis, RJ, em 15 de abril de 1960, onde pastoreou com dedicação a AD da cidade até a sua jubilação.

O sepultamento está previsto para amanhã, dia 25 de julho, às 10:00hs da manhã, com cerimônia fúnebre no templo da Assembléia de Deus, rua Capitão Edmundo Nascimento, 55, Teresópolis, RJ, igreja à qual deu a maior parte de sua vida como verdadeiro e amoroso pastor de almas.

O céu foi enriquecido com mais um vencedor.

sábado, 18 de julho de 2009

"Deus provavelmente não existe"


A frase circulou o mundo há alguns meses. Foi o mote de uma propaganda ateísta levada a cabo em Londres para estimular as pessoas a “aproveitarem a vida”. Ela deu novamente o ar de sua graça há poucas semanas com a visita de Richard Dawkins ao Brasil para participar da Feira Literária de Parati. O que a propaganda e o escritor têm em comum? Ele é, hoje, por iniciativa própria, o maior propagador do ateísmo no mundo. No auge da campanha publicitária, deixou-se fotografar no ônibus londrino que estampava em letras garrafais a dita propaganda em painel com bastante visibilidade.

Não quero discutir aqui a revelação bíblica. Não tenho nenhuma incerteza sobre ela. Minha reflexão é no campo filosófico até porque Richard Dawkins é aclamado pela crítica como um grande pensador, que apresenta argumentos considerados o suprassumo do pensamento humano sobre Deus, contra os quais não haveria quem o pudesse contestar. Mas não é isso que percebo. Se o ateísmo que Richard Dawkins professa é esse estampado no ônibus, ele embarcou então numa canoa furada e acabou por reconhecer que descrer da existência de Deus é um salto no escuro.

Sem entrar nos pormenores científicos da publicidade, uma propaganda precisa pelo menos apoiar-se em três pilares: expressar uma convicção, ainda que nem sempre verdadeira (“este produto não falha”), criar uma necessidade em quem recebe a mensagem (“esse produto é exatamente o que preciso) e estimular o cliente a adquiri-lo (“preciso comprar o produto o mais depressa possível”). Mas a propaganda lançada em Londres e firmemente apoiada por Richard Dawkins vai na contramão desses princípios primários.

Ela não expressa convicção, mas, ao contrário, gera incerteza pela forma duvidosa como a proposição foi construída. Por força disso, estabelece uma probabilidade a partir do momento em que o advérbio empregado – provavelmente – não garante a inexistência de Deus como fato assegurado. Ora, como posso ter certeza, se a probabilidade é a força do argumento? Como acreditar em algo que se apresenta como duvidoso? Como crer numa mensagem que desacredita de si mesma?

A partir do momento em que a campanha não expressa convicção, o segundo princípio fica prejudicado. A necessidade deixa de ser criada. Creio que nenhum cliente terá coragem de adquirir um produto que se apresente como “provavelmente bom”. Ninguém vai empregar recursos e correr o risco de ter em mãos algo, que, antes mesmo de ser adquirido, não lhe dá nenhuma segurança. Como descrer da existência de Deus se isso é uma probabilidade, como afirma a propaganda?

Se o segundo princípio já ficou prejudicado, o terceiro mais ainda. Acredito que as pessoas não se interessarão pelo produto, se não forem convencidas de sua utilidade. Quem se atreveria a comprar o que está sendo anunciado, se os próprios anunciantes põem a sua validade no terreno hipotético? Só mesmo quem estivesse disposto a frustrar-se mais adiante ao perceber que comprou gato por lebre. Ou seja, o que a propaganda contra a existência de Deus subentende é que podemos quebrar a cara, se acreditarmos nela.

No entanto, o ponto mais vulnerável da campanha é que, ao pôr a existência de Deus no terreno da probabilidade, ela admite, por outro lado, a probabilidade da sua existência. Explico-me: se a inexistência de alguma coisa é admitida como provável, essa afirmação presume também a possibilidade de sua existência. Assim, mesmo que o slogan tenha como propósito desmoralizar a crença em Deus, deixa pressuposto, com o acréscimo do “provavelmente”, que Deus, de fato, possa existir.

Aqui entra em cena outro raciocínio. Se algo me é apresentado com prováveis qualidades e ele possa me acarretar danos, caso, ao adquiri-lo, essas qualidades não sejam encontradas, é óbvio que de pronto vou rejeitar o produto. Lembro-me daquelas velhas placas que existiam em nossas rodovias: “Na dúvida, não ultrapasse”. Não as vejo mais, seria bom que voltassem. Que mensagem passavam? Caso ainda persistam as dúvidas quanto à ultrapassagem, embora naquele trecho da rodovia não haja restrição alguma, permaneça na sua faixa, pois poderá correr o risco de um acidente.


Não faz muito tempo alguém comprou um medicamento receitado pelo médico, cuja bula enumerava uma série de efeitos benéficos para a erradicação da enfermidade. Mas ao final havia uma advertência: “Esta medicação pode ser potencialmente fatal para o ser humano”. Ou seja, corre-se grande risco ao tomá-la. Aí quem decide é o paciente. Ele é quem terá de medir a relação custo/benefício e arcar com as conseqüências, caso, ao tomar o remédio, sofra algum dano fatal.

Chego à conclusão.

Considerando que, se até mesmo na propaganda ateísta, os ateus duvidam do ateísmo;

Considerando que, ao pôr a “crença” ateísta no terreno hipotético, como um salto no escuro, os ateus admitem a probabilidade da existência de Deus;

Considerando que desacreditar da existência de Deus, como propõe a duvidosa campanha publicitária, pode acarretar danos no presente e no futuro;

Considerando que, como pressupôs no campo filosófico Blaise Pascal, é melhor acreditar na existência de Deus, pois, caso não se venha encontrá-lo, não se perderia nada;

Proponho:

Creiamos no que diz a revelação bíblica, que declara: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam”, Hebreus 11.6

Com isto em mente, sugiro ainda a seguinte campanha aos quatro cantos do mundo:

“Deus existe. Aproveite a vida... com Deus”.

sábado, 27 de junho de 2009

Por falta de cantor, culto é transferido de Ginásio

Tomei conhecimento, agora a pouco, de um fato "inusitado". O culto comemorativo ao aniversário da cidade onde resido, Teresópolis, RJ, não será realizado no Ginásio Municipal, no próximo dia 3 de julho, porque se julgou que o povo evangélico não compareceria em número suficiente para encher o local. Motivo? Os organizadores do evento não poderão contar com a presença de um "cantor evangélico" em razão do elevado custo para trazê-lo: 25.000 reais.

O fato acima enseja muitos desdobramentos, entre eles a percepção de que o comercialismo predomina de forma escrachada no meio evangélico. Perdeu-se a vergonha, e nós mesmos alimentamos desavergonhadamente essa postura a partir do momento em que nossas celebrações passam a depender de tais "muletas" para serem bem-sucedidas. No entanto, já que precisam disso, e a comemoração religiosa faz parte do calendário oficial da cidade, por que a Prefeitura Municipal não bancou a festa? Seria, de qualquer maneira, o escracho total.

Uma pergunta: será que os católicos da cidade conseguirão encher o Ginásio, sem a presença de qualquer "celebridade", quando realizarem a missa comemorativa, em dia distinto, também prevista na programação?

A conferir.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Nota de esclarecimento do presidente da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil - CGADB


O Presidente da CONVENÇÃO GERAL DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL – CGADB, no exercício de suas atribuições estatutárias;

Considerando o ofensivo pronunciamento do membro SAMUEL CÂMARA, levado ao ar em programa televisivo no dia 13 de junho de 2009, oportunidade em que suscitou inverídicas suspeitas sobre a lisura das assembleias gerais da CGADB e respectivos procedimentos eleitorais, que ensejaram a reforma dos Estatutos e a reeleição de Membros da Mesa Diretora, estendendo seus ataques à atual e às anteriores administrações da entidade;

Considerando que o pronunciamento do membro SAMUEL CÂMARA denigre, direta ou indiretamente, a imagem, a honra e a dignidade da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil - CGADB, assim como de seus Dirigentes e todos os Membros Convencionais;

Considerando que, de acordo com as normas estatutárias, cabe ao Presidente da Mesa Diretora o direito de defesa, em Juízo e fora dele, da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil – CGADB;

A BEM DA VERDADE e por meio do Mensageiro da Paz, vem prestar os seguintes esclarecimentos, a todos quantos possam interessar:


REFORMA DOS ESTATUTOS

1) As reformas do Estatuto Social da CGADB, algumas delas por proposta do próprio convencional SAMUEL CÂMARA, se deram por imperiosa necessidade de sua adequação aos ditames do Novo Código Civil (Lei nº 10406/2002) assim como à realidade da própria CGADB, sendo a penúltima realizada na cidade Maceió-Al. A última reforma (AGE de Porto Alegre-RS), foi efetivada principalmente para permitir a eleição eletrônica, que foi inaugurada com sucesso na AGO de Vitória, Estado do Espírito Santo, mediante a utilização de urnas eletrônicas cedidas pelo Egrégio Tribunal Regional Eleitoral daquele acolhedor Estado, sendo, inegavelmente, uma grande vitória e profundo avanço, dado o expressivo número de eleitores que participam das AGOs.



DO PROCEDIMENTO ELEITORAL


2) Todos os procedimentos eleitorais da CGADB, sem qualquer exceção, sempre foram realizados às claras e de forma democrática, e sem manipulação, com inteira observância das disposições legais e estatutárias. Todos os convencionais tiveram plena liberdade para se inscrever como candidatos aos cargos eletivos. Prova disto que o próprio denunciante SAMUEL CÂMARA vem participando de sucessivas eleições, como candidato, tendo sido eleito, inclusive, como 1º vice Presidente da Convenção Geral, biênio de 2005/2007, afora outras funções eletivas que exerceu junto à Mesa Diretora, fatos que jamais poderá negar mesmo porque estão registrados nos anais da Convenção Geral. A reeleição do Pr José Wellington Bezerra da Costa, como Presidente, e a eleição dos demais Membros da Convenção Geral, a par da estrita observância das disposições estatutárias, devem ser tributados ao livre e consciente exercício do direito de voto dos convencionais que compareceram às sessões da Assembléia Geral, a exemplo dos respeitáveis votos atribuídos ao denunciante SAMUEL CÂMARA, restando-lhe apenas a lamúria de sua mal conduzida campanha. Duvidar da lisura, da condução e do resultado das eleições, como o fez deliberadamente o denunciante, equivale a subestimar a própria inteligência dos convencionais que participaram do certame.


3) Quanto às inscrições de convencionais, principalmente daqueles que participaram da última eleição, são infundadas as denúncias propaladas pelo membro SAMUEL CÂMARA, a exemplos dos demais fatos que ele veiculou em programa de televisão. Inicialmente, convém esclarecer que as inscrições foram acompanhadas pelo próprio convencional SAMUEL CÂMARA e seus assessores, tendo resultado na confecção de um relatório subscrito por ele (Samuel Câmara) e pelos membros da Comissão Eleitoral. E é oportuno informar que as impugnações do denunciante foram examinadas e rejeitadas pela Comissão Eleitoral, por ausência de qualquer irregularidade. Não era verdadeira a alegação de falta ou intempestividade de pagamento das taxas de inscrições ou de anuidades envolvendo 1626 inscrições. Todas foram pagas a tempo e modo, cumprindo ressaltar que alguns convencionais, residentes na cidade do Rio de Janeiro, efetuaram os respectivos pagamentos no dia 21 de janeiro de 2009, porque o dia 20 de janeiro de 2009, último dia de prazo, foi FERIADO na cidade do Rio de Janeiro e, de acordo com o artigo 132, § 1º, do Código Civil, “Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil”. E nada melhor do que cumprir a Lei, como sempre foi do feitio dos Membros da Convenção Geral, cuidado que o denunciante demonstrou não possuir. Por outro lado, o denunciante insinua que 1300 convencionais compareceram somente no dia da votação, mas não estariam inscritos no prazo do edital. Mais uma inverdade pronunciada pelo membro SAMUEL CÂMARA. Todos os 1300 convencionais estavam inscritos. Por sua vez, não se pode censurar os convencionais que optaram por comparecer ao local de votação somente no dia da eleição, visto que a participação dos atos correlatos ao pleito é de livre iniciativa de cada convencional. Curioso que o denunciante SAMUEL CÂMARA, deliberadamente, deixou de mencionar os convencionais que ele apresentou às vésperas da eleição, e, portanto, fora do prazo regimental, os quais foram inscritos em cumprimento de decisões judiciais provisórias proferidas em ações que eles ajuizaram contra a CGADB perante a Comarca de SERRA, Estado do Espírito Santo.


DO CADASTRO E DO REGISTRO DE CONVENÇÃO


4) Sob o enfoque deste tópico, também carece de veracidade a denúncia do membro SAMUEL CÂMARA. Nenhum convencional pode ignorar que o cadastramento e o registro de convenções são atos de competência da Mesa Diretora, a teor do artigo 39, III, do Estatuto Social, submisso a homologação da Assembléia Geral. A inscrição da entidade convencional que o denunciante mencionou em programa de televisão preencheu todos os requisitos do Estatuto da CGADB, especialmente quanto ao prazo de seis meses anteriores a data da AGO. Bem por isso que seus membros concretizaram suas inscrições no prazo do edital da última eleição, mediante o pagamento dos respectivos valores, tudo a demonstrar a inveracidade das afirmações do denunciante.


DA ÚLTIMA ELEIÇÃO

5) A eleição levada a efeito durante a AGO em Vitória-ES, como dito acima, foi a primeira mediante processo eletrônico, com urnas eletrônicas cedidas pelo Egrégio Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Espírito Santo. Todos os atos que a precederam, regulados no Estatuto Social e Regimento Interno da CGADB, foram rigorosamente cumpridos e fiscalizados, inclusive acompanhados pelo denunciante, ora pessoalmente, ora por seus representantes. Como se isso não bastasse, convém salientar que o próprio Tribunal cedente das urnas designou seus técnicos, que, diligentemente, acompanharam todos os procedimentos, culminando com a apuração e proclamação dos resultados. Como prova inequívoca da transparência, da oportunidade e lisura do pleito, mesários, escrutinadores, secretários, presidentes de mesas e fiscais foram indicados e recrutados pelos candidatos a presidente, até mesmo para a lacração das urnas, o que concorreu para o equilíbrio, a igualdade e a verdade dos resultados. Portanto, quando o denunciante se refere a suspeição e manipulação das eleições e seu resultado, em verdade o faz como ato de desespero, sem medir as consequências de suas inverídicas afirmações, sem a preocupação de atingir a honra, a imagem e a dignidade de consagrados servos de Deus, que, com dedicação e desvelo, cuidam de imensos rebanhos do Senhor da Seara.


DAS DELIBERAÇÕES DO PLENÁRIO
6) A respeito das deliberações do Plenário, o denunciante SAMUEL CÂMARA demonstra estar desinformado quanto ao que dispõe o artigo 21 do Regimento Interno, que regulamenta a forma de aferir a votação de matérias submetidas a debate em plenário. Conferindo o Regimento da CGADB, é inegável que a conduta do presidente do conclave se ateve rigorosamente ao que determina o mandamento estatutário e regimental, não sendo verdadeira, portanto, a afirmação do denunciante sobre suposta conduta diversa do presidente da Mesa.



DO RELATÓRIO DA COMISSÃO ESPECIAL


7) As inverídicas afirmações do membro SAMUEL CÂMARA a respeito de gastos, encargos e compromissos financeiros da CGADB, principalmente no que se refere ao período de 2007 a 2008, comportam os seguintes esclarecimentos:

a) Como é do conhecimento de todos os Membros Convencionais, a CGADB tem vários órgãos que exercem atividades em sua estrutura administrativa, tais como: Mesa Diretora, Conselho Fiscal, Conselho de Ética, Comissão Jurídica, dentre outros. Todos os convencionais que integram esses órgãos, exercem suas atividades sem remuneração de qualquer espécie, cabendo à CGADB os custos de deslocamentos, hospedagem e alimentação dos de seus Membros, quando no desempenho de suas atribuições estatutárias. Aliás, o próprio denunciante SAMUEL CÂMARA, enquanto integrante de órgãos da CGADB, também recebeu o mesmo tratamento, sem que desembolsasse, de si próprio, ou da igreja que preside, qualquer valor para cobrir suas despesas no desempenho de atividades estatutárias. Ao contrário do que insinuou o denunciante, todos os valores indicados no relatório da Comissão Especial nomeada são decorrentes de intensas e exaustivas atividades dos Membros que integram os diferentes Órgãos da CGADB, realizadas em diferentes regiões do País, sempre no interesse da entidade, como os convencionais tiveram a oportunidade de verificar e comprovar na última AGO. Não merecem credibilidade, portanto, as gratuitas afirmações do denunciante, mesmo porque desprovidas de qualquer prova em sentido contrário.

b) Quanto às dividas fiscais apontadas (INSS e FGTS), convém ressaltar que é absolutamente inverídica a informação da existência de “apropriação indébita” de valores descontados dos empregados da CGADB. O relatório da Comissão Especial nomeada dá conta de que os valores descontados de salários foram quitados. Logo não procedem as afirmações do denunciante. Quanto ao saldo apontado como objeto de parcelamento junto ao órgão governamental competente, aguarda-se deferimento de requerimento formulado em estrita observância das normas legais.


c) Com relação aos compromissos assumidos, é oportuno esclarecer que as finanças da CGADB são alimentadas pelas anuidades e taxas de inscrições dos Membros Convencionais de sorte que, em razão da ausência de provisão de fundos de vários cheques recebidos de convencionais, a entidade teve momentânea dificuldade para saldar seus compromissos, mas, conforme consta do relatório da Comissão Especial, os títulos de créditos mencionados pelo denunciante foram resgatados. Por não ser de seu interesse, o denunciante omitiu, propositadamente, o parecer final da aludida comissão, que não foi por ele contestado em plenário, onde está expresso que: “Diante dos fatos analisados e dos comentários citados, somos de parecer de que os relatórios financeiros de 2007 e 2008, apresentados pela CGADB, sejam aprovados, com a incorporação deste relatório e documentos, com atendimento as recomendações aqui constantes, em especial com o preparado das demonstrações financeiras em conformidade com os princípios contábeis geralmente aceitos. De igual modo, esta comissão considerando os aspectos envolvidos e a documentação apresentada, conclui que, tendo em vista a matéria discutida, não se identifica nenhum elemento evidenciador de improbidade administrativa.” Deve ser destacado que a Comissão Especial em referência foi composta por convencionais dotados de formação técnica adequada, e com a participação de representante do denunciante SAMUEL CÂMARA. O parecer acima parcialmente transcrito foi submetido à discussão e apreciação do plenário, tendo sido APROVADO POR UNANIMIDADE pelos Convencionais, dentre eles o próprio denunciante SAMUEL CÂMARA.


DA DOCUMENTAÇÃO PARA A INSCRIÇÃO


8) No que se refere aos documentos de inscrição dos candidatos, o pronunciamento do membro SAMUEL CÂMARA, igualmente, está permeado de inverdades. De todos os que se candidataram aos mais diversos cargos eletivos da CGADB, foi exigida a documentação regimentalmente determinada, conforme dispõe o artigo 41 e seguintes do Regimento Interno, com prazos de impugnações. Por outro lado, é absolutamente inverídica a afirmação de que o subscritor da presente teria presidido sessão da Comissão Eleitoral, até porque os membros daquele órgão, que atuaram com total independência, jamais permitiriam a ingerência de terceiros em seu funcionamento. É lamentável observar, mas o denunciante, propositadamente, confunde a pessoa física dos candidatos com a pessoa jurídica da CGADB.

9) Finalmente, destaca o subscritor desta nota, em nome da Mesa Diretora e todos os demais órgãos da CGADB, que não é cabível, por impertinente, a ressuscitação de questões exaustivamente debatidas e já decididas, soberanamente, pelos Membros Convencionais, não sendo demais acrescentar que as denúncias do membro SAMUEL CÂMARA configuram comportamentos espiritualmente reprováveis, cabendo ao Senhor da Seara avaliá-las segundo seus santos propósitos e juízos. Bom seria que o precioso espaço do programa de televisão fosse utilizado pelo membro SAMUEL CÂMARA para a propagação do Santo Evangelho, porque é com esse magno propósito que ele foi consagrado ao Ministério da Palavra.


Fraternalmente, em Cristo Jesus, Senhor Nosso
Rio de Janeiro, 18 de Junho de 2009



JOSÉ WELLINGTON BEZERRA DA COSTA
Pastor Presidente

FONTE: Jornal "Mensageiro da Paz", Ano 79 - Nº1490 - Julho de 2009, Orgão Oficial das Assembléias de Deus no Brasil, através dos blogs do pastor Altair Germano e do pastor José Wellington Bezerra da Costa.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

José Satírio: a saga de um apóstolo

Alguns se fazem apóstolos. Outros são feitos por Deus. José Satírio dos Santos se inclui nesta última categoria.

Há 35 anos deixou o Brasil, sem qualquer promessa de apoio financeiro, viajou por 42 dias com toda a família desde São Paulo até o norte, onde desbravou as selvas amazônicas até chegar ao país para o qual fora claramente chamado por Deus: Colômbia. Uma história que tinha tudo para dar errado, se o pastor José Satírio estivesse movido pela vontade humana.

Instalou-se então em Cúcuta, como Deus lhe mostrara, e pôs mãos à obra. Alugou a casa, construiu os bancos e começou os cultos. Nada que pudesse vislumbrar um futuro promissor. Mas a igreja que naquela época foi plantada hoje fala por si. São aproximadamente 50 mil membros espalhados entre a sede, congregações e igrejas filiadas, escolas de Primeiro e Segundo Graus, trabalho social intenso, emissoras de rádio e uma atuação fecunda do pastor José Satirio, como conferencista, que, hoje, se irradia por toda a América Latina.

Outras cidades da Colômbia foram também alcançadas, como é o caso de Monteria, onde se encontra atualmente o missionário Oséias Pereira. Ministrei ali 15 dias atrás, por uma semana, no Quinto Congresso de Missões para uma igreja com cerca de oito mil membros.

Esse é o verdadeiro apostolado.

Veja abaixo em fotos um pouco da obra em Cúcuta, enquanto se deleita com a própria voz inspirada e ungida do missionário Satírio, que canta um clássico conhecido em todo o Brasil desde a minha adolescência.

Você poder ler um pouco mais sobre a sua obra no livro: Missão em Cúcuta, lançado pela CPAD.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Brasileiros não apoiam a homossexualidade

Embora tenha havido nos últimos anos intenso bombardeio através da mídia secular para minar os valores morais e tornar a sociedade simpática à prática homossexual, atribuindo-lhe característica de normalidade comum à diversidade humana, não é de fato bem isso que vêm logrando aqueles que fazem desta a sua batalha de vida ou morte.

Nem mesmo as novelas, com as suas cenas ousadas de convivência afetiva e em alguns casos até de “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, conseguiram esse intento. (Ainda que o façam, diga-se de passagem, mesmo na ficção, de forma criminosa, ao arrepio da constituição brasileira, cuja letra afirma que o casamento se dá entre homem e mulher.)


A verdade é que, segundo pesquisa produzida pela Fundação Perseu Abramo, em parceria com a Fundação Rosa Luxemburg, à qual se reportou o jornal O Globo de 8 fevereiro, 99% dos brasileiros, em maior ou menor grau, não assimilaram a idéia de considerar normal o homossexualismo.

É claro que o jornal e os promotores da pesquisa não admitem essa interpretação. Para eles, embora em matizes variados, os dados revelam o preconceito ainda existente contra os homossexuais, que precisa ser combatido através de políticas públicas contra a discriminação para eliminá-lo. Não se podia esperar outra coisa dessa gente. Essa é a pecha que nos querem impor não só como forma de hostilização, mas de nos colocar na defensiva, com temor do rótulo, diante da ditadura do “politicamente correto”, que, hoje, toma conta do mundo dito “civilizado”.

Mas vejamos as informações da pesquisa. Ela empregou a metodologia da abordagem domiciliar para ouvir 2014 pessoas acima de 15 anos distribuídas por 150 municípios, em 25 unidades da federação, nas cinco macrorregiões do país. Foi ampla o suficiente para produzir com fidelidade os resultados anunciados e mostrar que a realidade não é bem aquilo que pretendem os apologistas do homossexualismo, embora seja lida de forma distorcida e vá servir de instrumento para nos hostilizar ainda mais.

O que mais chama a atenção são os números que ligam a não aceitação da prática homossexual aos princípios da fé cristã. Vejam só: 92% dos brasileiros, por exemplo, acreditam que “Deus fez o homem e a mulher com sexos diferentes para que cumpram o seu papel e tenham filhos”. Os responsáveis pela pesquisa atribuem autoria anônima à frase (uma forma velada de tirar-lhe o mérito), como se fosse mero refrão da tradição popular. Mas ela revela, em essência, um fato bíblico para o qual torcem o nariz: a perpetuação da espécie como uma das finalidades pelas quais Deus criou macho e fêmea o gênero humano. E, como afirmam, 11 em cada 12 brasileiros acreditam nela.

Outro dado relevante da pesquisa é que 66% creem que a “homossexualidade é um pecado contra Deus”. Ora, não é isso resultado da influência direta daquilo que a igreja, baseada na Bíblia, ensina ao povo? Aliás, essa é a interpretação, mesmo que tortuosa, dada por Gustavo Venturi, doutor em Ciência Política e mestre em Sociologia, em seu ensaio sobre a pesquisa publicado no portal da Fundação Perseu Abramo. Para ele, isso é fruto do “peso legitimador dos discursos religiosos (especialmente cristãos, tratando-se de Brasil, e ainda particularmente católico, em que pese o crescimento recente acentuado das igrejas evangélicas) no reforço de concepções preconceituosas da homossexualidade”.

A única diferença é que Gustavo, preconceituosamente, identifica esse peso da fé cristã como o fator gerador dessas “concepções preconceituosas”, enquanto nós, os cristãos, sem nenhum preconceito, admitimos que essas concepções nada têm de preconceituosas e apenas refletem o padrão moral de comportamento que Deus estabeleceu para o gênero humano.


Em outras palavras, apesar da orquestração que se estende desde o mundo acadêmico, passando pela mídia, até as políticas de governo para impor o modus vivendi homossexual como prática moralmente aceitável, ainda assim a força da fé cristã, enfrentando todos os percalços, prevalece no coração dos brasileiros e nos serve de estímulo para não esmorecermos em nossa luta em defesa do evangelho.

No entanto, a leitura que deixou de ser feita pelo ensaísta é que, se 99% dos brasileiros discordam, de alguma forma, da prática homossexual, onde estaria então o propalado quantitativo do grupo, que se instrumentaliza de ferramentas públicas para impor a ditadura do seu comportamento sobre a sociedade? Sem nenhuma dúvida, por dedução, na faixa do um por cento, que apoia a “causa” do movimento.

Com esse dado claríssimo, percebe-se que o minoritário movimento homossexual está sendo também instrumentalizado pelo viés ideológico das ditas forças progressistas para criar um fato político e impor restrições à liberdade de expressão mediante a ditadura do pensamento único. É o que pretendem com a aprovação do PL 122 que consagra de forma autoritária, contra todos os princípios em que se sustenta o regime democrático, o “delito” de opinião, como já observou o filósofo Olavo de Carvalho.

Aliás, Gustavo Venturi deixa isso claro, quando afirma: “Enquanto o PL 122 (ou lei semelhante), hoje parado no Senado, não for promulgado, e enquanto não ocorrerem eventuais condenações exemplares por crimes de ofensa ou discriminação de pessoas por sua orientação sexual ou identidade de gênero, é pequena a chance que se reverta de forma expressiva ou que se acelere a reversão (provavelmente já em curso) no processo de reprodução de preconceitos de natureza homofóbica”. Ou seja, eles continuam em ação para transformar em lei essa aberração jurídica. E mais dia menos dia conseguirão a façanha, se nos omitirmos como força social organizada em nosso país.

Duas conclusões, entre outras, precisam ser extraídas da pesquisa:

1) Não obstante a nossa atuação como força social organizada estar muito aquém do que ainda pode ser feito (somos, por exemplo, relapsos em nos apresentar nos fóruns adequados para discutir temas desta natureza), não podemos desconsiderar a força da mensagem cristã na formação do pensamento brasileiro. Assim, continuemos a pregar a tempo e fora de tempo todo o conselho de Deus. Sem medo de restrição alguma.

2) Não nos enganemos, achando que as coisas melhorarão em nosso favor. Isso não acontecerá. O cerco será apertado cada vez mais, inclusive com a influência internacional de órgãos da própria ONU. Lembremo-nos que esse foi o propósito da pesquisa: fornecer ferramentas ao governo para assegurar a ditadura da diversidade sexual. Em outras palavras, precisamos estar preparados para os novos tempos e agir para que a nossa voz seja ouvida nos fóruns que ditam as leis do país.

Pelo menos não seremos omissos. Omissão também é pecado.

PS. Este artigo foi originalmente publicado na edição do Mensageiro da Paz do mês de março de 2009.


domingo, 7 de junho de 2009

Manifesto da UBE: a árdua coleta de assinaturas


Acabo de chegar ao Brasil e me contristo ao ver quão árdua tem sido a coleta de assinaturas para o manifesto da UBE. Concordo em gênero, número e grau com os colegas Matias Borba e Daladier Lima em comentários no post abaixo. Infelizmente, esse é o quadro do nosso tempo. Poucos querem "comprometer-se".

Tudo leva a crer que o Minc ainda não caiu para não ficar parecendo uma reprovação do governo ao que ele disse a favor da homossexualidade e contra o posicionamento das igrejas cristãs.

Na tentativa de colaborar com a campanha, não postei ainda sobre outro tema para permitir aos que frequentam este blog perceber que assinar este manifesto é, agora, prioridade absoluta, até porque se demorar mais o fato deixará de importar para o propósito de nossa luta. Mas pelo que vejo, estamos em passos de tartaruga.

Pense um pouco no que escreveu Martin Niemöller, em 1933:

"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.

"No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.

"No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.

"No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar..."

Hoje, dia 7 de junho, no horário em que escrevo estas linhas, temos apenas 569 assinaturas. Muito pouco pelo tempo em que o manifesto se encontra à disposição dos blogueiros cristãos. Mas parabéns aos que assinaram. Fizeram a sua parte. Aos demais, pergunto: será que, no Brasil, chegaremos ao ponto em que chegaram alguns na Alemanha de Hitler, como descrito acima?

Só acordaremos quando ultrapassarmos o ponto do não-retorno?